Sobre pessoas afetivas
dezembro 24, 2008
1) “Nós dizemos que o começo é
sempre sempre inesquecível…
mas no entanto meu amor,
que coisa incrível…
esqueci nosso começo
inesquecível….” – (João Bosco / Aldir Blanc)
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.” – (Soneto da Separação – Vinícius de Moraes)
4) A terapia comportamental de casal – A terapia de casal é uma das áreas de atuação mais desenvolvidas nas últimas décadas. A incidência de procura na clínica comportamental é muito alta. Além disso, a terapia comportamental acredita que cada casal é único e tem sua história específica de relacionamento e portanto sua psicoterapia requer objetivos e estratégias próprias.
5) Por que terapia de casal? – Porque as pessoas tem histórias de vida diferentes. Há algumas variáveis que determinam o comportamento de cada parte do casal. Entre elas: sexo, famílias, profissões, expectativas, religiões, valores éticos, posições políticas, objetivos de vida e escolhas. A história de duas pessoas diferentes, por exemplo, que decidem viver juntas e “até que a morte os separe”. Isso acaba se tornando um tempo muito longo e além disso não são consideradas as mudanças no relacionamento.A terapia de casal pode ajudar no sentido de melhorar a comunicação entre o casal, analisar a história de vida da pessoa e do casal e entender determinadas imcompatibilidades ou procurar adapta-las.
6) Os três tipos comuns de contrato de relacionamento:
a) O contrato explícito – consciente e verbalizado, explícito – que envolve morar numa mesma casa, amor para sempre, fidelidade, filhos, tipo de educação para os filhos, relacionamento com a família de origem, trabalho e sustento, como gastar o dinheiro etc.
7) Expectativas e realidade – Aprendemos durante a juventude as seguintes regras ou crenças sobre casamento:”… e viveram felizes para sempre…”; “Vamos envelhecer juntos apaixonados como agora…”; “Ele nunca vai me decepcionar…”; “Ela sempre será a mulher dos meus sonhos…”; “Ele (ou ela) vão suprir todas as minhas necessidades na vida…”. Neste sentido, antes do casamento ocorrem expectativas, sonhos, projetos de vida, boas intenções e promessas. Todavia, o casamento não é feito só de amor, abraços e beijos apaixonados. O casamento envolve o cotidiano, contas a pagar, frustrações, decisões e problemas a resolver. Em outros termos, como a vida não é um conto de fadas, nunca é perfeito, maravilhoso ou ótimo.
a) Enfatizar a mudança comportamental.
b) Aumentar interações positivas e diminuir negativas.
c) Ensinar estratégias para solucionar problemas.
d) Modificar espectativas irreais.
e) Corrigir as atribuições de culpa.
f) Identificar esquemas de reforçamento.
g) Identificar classes de resposta.
h) Treino de comunicação ou de habilidades sociais.
i) Propor tarefas ou atividades para serem realizadas na situação natural.
j) Treinar discriminação e generalização.
k). Identificar em sua história de vida aspectos importantes que determinaram conjuntos de regras ou valores, escolhas e padrões de comportamentos funcionais e/ou disfuncionais.
l). Identificar sentimentos e emoções envolvidos em comportamentos usualmente emitidos.
m) Identificar padrões de comunicação estabelecidos entre o casal e treinar novas formas.
n) Identificar formas de tomada de decisões e treinar novas formas.
É importante também dizer que os “sinais dos tempos” faz com que o terapeuta comportamental tenha que se adapatar as novas demandas de casais. Os novos parceiros estão convivendo com ‘novas realidades’ sociais, econômicas e culturais. O ‘espaço e o tempo’ que cada parceiro dedica para o casal são indicativos de valores e prioridades. Os novos “papéis” da mulher no que diz respeito a profissionalização, independência econômica, desempenho de funções semelhantes e ‘novas’ exigências e expectativas pessoais e mútuas. A terapia de casal hoje trabalha com novos contextos de vida, novas parcerias, novas idades para a busca de ajuda e a ampliação de temas. Neste sentido a questão primordial da terapia de casais hoje não é mais metodológica, mas sim ideológica. Hoje a terapia precisa lidar com os recasamentos, com os casais homossexuais, diferenças “culturais”, romances virtuais, separação, aposentadoria, as revoluções biológicas (a inseminação artificial, por exemplo). Portanto a terapia comportamental de casais precisa considerar os sinais dos tempos o que significa ficar sob controle de cada época; as transições de costumes, práticas e realidades sociais de cada momento.








