Como é a evolução do distúrbio hiperativo?
As manifestações condutuais do distúrbio hiperativo variam com o nível de desenvolvimento da criança:
Idade pré-escolar: déficit de atenção, atividade motora excessiva, falta de autocontrole, problemas na alimentação/sono, inquietação excessiva e episódios de negativismo ou birra.
Idade escolar: mesma sintomatologia acima e uma série de perturbações secundárias que afetam as relações interpessoais e aprendizagem escolar.
Como fica o ambiente familiar, escolar, interpessoal e pessoal de um indivíduo com TDAH?
As interações com os iguais são reduzidas em função da impulsividade e agressividade da criança. Carecem, portanto, de experiências sociais e o isolamento e rejeição social interferem diretamente na valorização de si mesmo.
No que se refere à aprendizagem escolar, em função dos aspectos atencionais do distúrbio, há uma dificuldade da criança em perceber estímulos relevantes para estruturação e execução adequada das tarefas.
Na adolescência as alterações secundárias se exacerbam, aparecendo, com freqüência, condutas anti-sociais, ao passo que o nível de auto-estima do indivíduo é afetado.
Quais as intervenções Cognitivo-Comportamentais existentes?
1) Treinamento de auto-instrução.
2) Discurso de auto-orientação: (o autocontrole é regulado pelo discurso oculto. Essas crianças têm um retardo no desenvolvimento do discurso autodirigido (falar consigo mesma)).
Procedimento:
1. as auto-afirmações são moldadas pelo instrutor verbalmente;
2. a criança faz as mesmas tarefas com a orientação do instrutor;
3. a criança a mesma tarefa enquanto instrui a si mesma em voz alta;
4. a criança desempenha a tarefa enquanto sussurra as instruções;
5. a criança faz a tarefa enquanto orienta sua conduta por meio do discurso privado.
O auto-reforço faz parte de todas as etapas da auto-instrução.
3) Treinamento de Resolução de Problemas
O treinamento é dirigido para engajar a criança com TDAH no sentido de seguirem uma série de passos cognitivos antes de dar a resposta para uma situação social problemática.
a) reconhecer a existência de um problema;
b) geração de alternativas para a solução de problemas;
c) avaliação das conseqüências de diferentes alternativas;
d) revisão dos resultados da alternativa selecionada;
e) reforço.
5) Auto-monitoramento: A criança parece não ter consciência do próprio comportamento. É importante ensinar a criança a observar aspectos específicos e registros do comportamento.
As crianças não conseguem avaliar cuidadosamente seu desempenho na tarefa ou verificar a qualidade de seu trabalho.
Neste sentido associar a terapia com a medicação psicoestimulante pode ser interessante em alguns casos que a análise comportamental seja bem feita para verificar se o organismo não é intacto ou seja que o problema é mais orgânico que construído comportamentalmente.
O que se pode fazer para ajudar o educador/professor que trabalha com um indivíduo com TDAH?
– Seleção adequada de estímulos relevantes para a execução da tarefa a fim de evitar excesso de informação contaminadora.
– Esclarecimento da tarefa e de seus aspectos chaves.
– O controle de elementos externos, tanto físicos quanto humanos que sejam potenciais dispersores.
– Favorecer grupos de trabalho reduzidos.
– Sequenciação de atividades adequadas para não incitar a frustração da criança.
Graduação do problema para evitar saltos dos problemas fáceis para os difíceis
A cafeína pode ser usado para tratar o TDAH?
Esse resultado foi obtido após seis meses de testes em cerca de 150 ratos de duas linhagens distintas: uma normal, chamada Wistar, e outra hipertensa, conhecida pela sigla SHR (spontaneously hypertensive rat, em português, “rato espontaneamente hipertenso”). Essa linhagem foi usada porque se sabe que além de ser hipertensa, ela apresenta uma série de características semelhantes às dos pacientes de TDAH.
Como parte da pesquisa, os ratos foram avaliados em uma espécie de ‘piscina’ cheia de água chamada de “labirinto aquático”. Com dimensões de 1,7 metro de diâmetro por 0,8 metro de altura, essa piscina contém uma plataforma transparente e submersa (invisível aos ratos). O experimento consistia em treinar os ratos a achar essa plataforma. Era dado um minuto para cada animal atingir esse objetivo, que foi repetido por dez sessões consecutivas com cada animal. Em média os ratos Wistar aprenderam a achar o caminho já na terceira tentativa, enquanto que os SHR demoraram mais: só na sétima vez eles conseguiram encontrar a plataforma.
Uma quantidade pequena de cafeína, equivalente à contida em uma xícara de café, foi aplicada em outros ratos hipertensos cerca de meia hora antes dos experimentos. Após essa injeção, eles foram submetidos aos mesmos testes. Sob influência da cafeína, viu-se que eles achavam a plataforma já na terceira sessão, de maneira semelhante aos ratos Wistar. Por esta razão, os pesquisadores da UFSC propõem, com as devidas ressalvas, que a cafeína pode representar no futuro uma nova alternativa para o tratamento do TDAH.
Eles destacam o fato da cafeína já ter sido estudada em crianças com transtorno entre os anos 70 e 80, apresentado resultados muito promissores. Para Prediger, que coordenou os testes deste projeto, as pesquisas com a cafeína podem ter sido interrompidas no passado em virtude da descoberta do metilfenidato, e um possível “lobby” da indústria farmacêutica na constante procura por medicamentos mais rentáveis.
Outra descoberta importante deste estudo é que a cafeína não alterou os níveis de pressão dos ratos hipertensos, demonstrando que estas duas características parecem não estarem correlacionadas. “Estamos dando para os ratos uma substância que melhora sua atenção sem alterar a sua pressão”, comemora Prediger.
Essa é a primeira fase das pesquisas. Para se tornar um medicamento disponível em farmácias, a cafeína precisa ser testada em humanos, o que não deve acontecer nos laboratórios da UFSC. “No Brasil é difícil achar um banco de dados confiável de portadores de TDAH para aplicar essa pesquisa”, lamenta. Para um estudo como este, seriam necessárias mais de cem pessoas dispostas a passar por um prolongado cronograma de testes.
Os resultados das pesquisas com a cafeína em ratos SHR foram apresentados pela primeira vez no Congresso do Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (CINP), realizado em Montreal, no Canadá, em setembro de 2004. A revista inglesa International Journal of Neuropsychopharmacology apresentou as conclusões deste estudo recentemente. No segundo semestre deste ano, o estudo será apresentado pelo Prof. Reinaldo Takahashi e o doutorando Rui Daniel S. Prediger durante a Semana da Biologia na UFSC.”

